terça-feira, 18 de novembro de 2014

O texto crítico

     É curioso o mundo de Divergente. Logo nos minutos iniciais, Tris ( Shailene Woodley ) explica direitinho ao espetador que, em um futuro não muito distante, a cidade de Chicago está destruída e os moradores foram separados em fações, de acordo com as suas qualidades e escolhas. Como ocorreu esta separação ? Ninguém protestou no início ? O que havia antes da divisão ? Por que estas cinco fações e não outras ? O sistema de divisão dá conta de profissões como Agricultores ( Amizade), Advogados ( Erudição ) e guardas ( Audácia ). Mas onde ficam os médicos e os artistas ? O que fazem aqueles da franqueza ? Não se sabe.
     O campo onde mora este grupo funciona como uma espécie de treinamento militar extremo, baseando-se na ideia de que os fracos merecem, no melhor dos casos, a exclusão, e no pior dos casos, a morte. O governo em Divergente é afeito a práticas nazi-fascistas talvez por isso Kate Winslet, a vilã da história, tenha-se definido como uma "Hitler Feminina". No entanto, não se deseja purificar o povo pela, imposição da raça ariana, e pela, máxima produtividade e pela aversão à "natureza humana", a líder pretende excluir ciúme, inveja e outras fraquezas humanas para criar um exército de robôs-zombies sem subjetividade.
     Comercialmente, é difícil não associar Divergente  a outras franquias infanto-juvenis de sucesso, como Twilight Saga e The Hunger Games, por serem adaptações literárias e buscar o público-alvo. Como Twilight Saga, este filme tem comum a defesa da abstincência sexual  ( Tris evita o sexo, e um dos seus maiores medos, revelado em público, é de ser estupurada pelo homem que ama ), e de The Hunger Games retira-se a estrutura de jovens que lutam entre si para selecionar os mais fortes para impor uma lógica de circo, no caso da história de Katniss, e por autoimposição dos próprios jovens no caso de Audácia. Os dois governos são tirânicos mas o de Divergente parece mais preverso, já que os próprios moradores assimilaram as regras e passaram a reproduzir por conta própria a lógica do extermínio.
      Mesmo assim, Divergente diverte com as boas cenas de ação, parkour e com o aumento gradual da dificuldade que Tris deve enfrentar. Também vale destacar o romance simples e paternal da protagonista do filme como líder Quatro, sem excessivas cenas de amor. Apesar do contexto esparso e do visual fraco, o filme conseguiu cumprir os dois maiores desejos que tinha pela frente: incluir o máximo de história possível no roteiro, para agradar os fãs do livro, e explicar as mínimas bases da história, para agradar as pessoas, que ainda não conhecem a obra de Veronica Roth.

     Adorei o filme !

Daniel Castro, nº11

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A ENTREVISTA

Marta Fernandes Navega

                “Adoro fazer as pessoas rir”

Já foi a melhor comediante do ano, recebeu vários prémios pelo seu trabalho. Já fez vários tipos de filmes como: drama, romance, terror e claro comédia … ela faz de tudo, tanto ficção nacional como internacional.
Aos 31 anos, Marta Navega é a mulher mais jovem a receber o prémio da categoria de melhor atriz comediante na gala dos Óscares de Hollywood.

LUX: Como se sente ao receber este prémio de tamanha distinção?
MFN: Sinto-me lisonjeada. É uma grande honra receber este prémio, já o devia ter recebido há mais tempo (risos), estou a brincar, considero que existem comediantes com mais experiência e talento que eu. Mas agradeço o prémio.

Como se sente ao ser acarinhada pelo público?
Sempre me dei bem com o público. Não me importa de o cumprimentar e responder às questões que me propõem. Gosto muito dos piropos que me fazem e eu rio-me e respondo. Embora às vezes gostava de poder sair a rua sem ter as pessoas todas atrás de mim.

Qual foi o filme que mais lhe agradou participar?
Adorei participar em todos os filmes que fiz, mas claro, que houve um filme de que gostei em especial, “Ilegal Amar”, porque foi o filme em que tive mais contacto com todo o elenco.

Como faz naqueles dias em que todos nós temos, que não nos apetece falar com ninguém quanto mais fazer rir?
Isto é um dom que nasceu comigo, quando entro em cena esqueço tudo. Não sei explicar melhor, é assim que eu me sinto (risos).

Tem noção que o nosso país é muito pequeno para tantos talentos?
Nada é pequeno, nada é grande. Quando gostam do nosso trabalho há espaço para tudo. E eu que sou conhecida internacionalmente, e é isto que desejo a todos os meus colegas.

Como pensa aproveitar o prémio que recebeu em função da sua carreira?
Vou utilizar este prémio que recebi, em função do meu público, pois este vai-me dar confiança e inspiração para continuar a agradar. Ver rir é um grande conforto.

Com o que é que se inspira para fazer comédia?
Inspiro-me na minha família e amigos que sempre me apoiaram e valorizaram. O que me transmite autoconfiança e a certeza que vou fazer rir.

Alguma vez se arrependeu por não ter seguido outra carreira?
Não, sempre sonhei em ser atriz, no entanto com o tempo percebi que a minha queda era para a comédia, sem me aperceber, quando em família entre amigos, era eu a protagonista, porque todos se riam das minhas frases. Nunca noutro curso me sentiria mais realizada.

A sua família gosta de a ver representar?
Sim, não tenho qualquer dúvida, pois são eles os meus primeiros fãs.

Quem é o seu maior crítico?
Sempre foi o meu avô que acreditou em mim, elogiava-me mas também sabia dizer não gosto, e com isso sou a mulher que sou hoje. Mas acredito que o meu filho é o seu substituto, sabe dizer gosto e sabe dizer não gosto (risos).

Como reage as críticas destrutivas?
 Dou a mesma atenção que a todas as outras pois estas também me ajudam a melhor cada vez mais.

Tem alguma superstição antes de começar a filmar?                   
Não sei, se é superstição mas sempre gostei de falar com o meu avô e ouvir: “Boa Sorte”.

Qual é o país que mais gosta de passar férias?
Eu adoro conhecer lugares diferentes, adoro aventuras. Acabo por terminar sempre as minhas férias mo meu país que foi onde comecei a minha carreira.

Ana Catarina Rosário,LUX
31 de outubro de 2014
Ana Catarina Rosário nº 1
Marta Navega nº 17